terça-feira, 24 de maio de 2011
"Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos côcos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria.. E eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”
terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, quando chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia.
Em: O Caçador de Pipas
Em: O Caçador de Pipas
E aquela tristeza muda que sangrava das paredes da cidade ferida era o verdadeiro rosto de sua alma. Uma das armadilhas da infância é que não é preciso se entender uma coisa para se sentir. Quando a razão é capaz de entender o ocorrido, as feridas no coração já são profundas demais.
Por: A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón
Por: A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón
domingo, 27 de março de 2011
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.
Por: Caio Fernando de Abreu
Por: Caio Fernando de Abreu
Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no prato.
Por: Caio Fernando de Abreu
Por: Caio Fernando de Abreu
quinta-feira, 10 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Um minuto.
- Alô, mãe?
- Oi, Lia. Como você tá, minha filha?
- Tô indo.
- Indo? Indo pro trabalho?
- Não, mãe. Não tô. Na verdade... ah, vou contar logo antes que a coragem evapore. Eu pedi demissão. Pedi, pedi mesmo. E antes mandei aquela Lúcia, do meu departamento, mandei ela tomar lá onde é mão única. Mentira. Mandei ela enfiar o dedo e rasgar em cruz. Eu sei mãe, eu sei que você disse pra eu ter paciência. Juro que tentei. Até tomei uns remédios tarja preta pra conseguir dormir, me acalmar, mas não funcionou. Aí mãe, ai, me desculpa, mas eu fumei maconha mesmo. Mas eu não comprei não. Plantei, viu? Mais ecológico, menos arriscado. O Arnaldo, sabe? O namorado que você adorava tanto, ele meio que tinha uns contatos, que tinham uma estufa e, ah, deixa pra lá. Eu terminei com ele mesmo. Quer dizer, ele me pegou com o Júlio, pronto falei, mãe. Pegou a gente lá, fazendo um movimento. O pior é que minha menstruação não veio. Enfim, mãe, é isso aí. Não sou virgem, não sou santa, posso estar grávida do Arnaldo, ou do Júlio, gosto de maconha e tô desempregada.
- Alô? Alô?
- Mãe?
- Oi, Lia. A ligação sumiu. Você disse alguma coisa?
- ... disse que tá tudo ótimo e que fim de semana que vem vou visitar você, tá?
- Ótimo. Traz o Arnaldo, viu? Um beijo. Juízo.
Por: Redatoras de merda.
- Oi, Lia. Como você tá, minha filha?
- Tô indo.
- Indo? Indo pro trabalho?
- Não, mãe. Não tô. Na verdade... ah, vou contar logo antes que a coragem evapore. Eu pedi demissão. Pedi, pedi mesmo. E antes mandei aquela Lúcia, do meu departamento, mandei ela tomar lá onde é mão única. Mentira. Mandei ela enfiar o dedo e rasgar em cruz. Eu sei mãe, eu sei que você disse pra eu ter paciência. Juro que tentei. Até tomei uns remédios tarja preta pra conseguir dormir, me acalmar, mas não funcionou. Aí mãe, ai, me desculpa, mas eu fumei maconha mesmo. Mas eu não comprei não. Plantei, viu? Mais ecológico, menos arriscado. O Arnaldo, sabe? O namorado que você adorava tanto, ele meio que tinha uns contatos, que tinham uma estufa e, ah, deixa pra lá. Eu terminei com ele mesmo. Quer dizer, ele me pegou com o Júlio, pronto falei, mãe. Pegou a gente lá, fazendo um movimento. O pior é que minha menstruação não veio. Enfim, mãe, é isso aí. Não sou virgem, não sou santa, posso estar grávida do Arnaldo, ou do Júlio, gosto de maconha e tô desempregada.
- Alô? Alô?
- Mãe?
- Oi, Lia. A ligação sumiu. Você disse alguma coisa?
- ... disse que tá tudo ótimo e que fim de semana que vem vou visitar você, tá?
- Ótimo. Traz o Arnaldo, viu? Um beijo. Juízo.
Por: Redatoras de merda.
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