sábado, 11 de abril de 2009

não fica, não marca...


E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor. Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara. Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo.

Tenho, claro. Ficou nervosinho, quer cigarro? Mas nem fumar você fuma, o quê? Compreendo, compreendo sim, eu compreendo sempre, sou uma mulher muito compreensiva. Sou tão maravilhosamente compreensiva e tudo que, se levar você pra minha cama agora e amanhã de manhã você tiver me roubado toda a grana, não pense que vou achar você um filho da puta. Não é o máximo da compreensão?

Fissura, estou ficando tonta. Essa roda girando girando sem parar. Olha bem: quem roda nela? As mocinhas que querem casar, os mocinhos a fim de grana pra comprar um carro, os executivozinhos a fim de poder e dólares, os casais de saco cheio um do outro. Estar fora da roda é não querer nada. Feito eu: não quero ninguém deles. Nem você.

Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar. Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, quase toda noite. Não por você, por outros como você.

Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.

Só por ele, por esse que ainda não veio, te deixo aqui. Está quase amanhecendo. As damas da noite recolhem seu perfume com a luz do dia. Na sombra, sozinhas. Envenenam a si próprias com fantasias. Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui, continua tudo certo. Fora da roda. Parada pateta ridícula venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro.

Você é tão inocente, tão idiotinha com essa camisetinha Mr. Wonderful. Inocente porque nem sabe que é inocente. Mas tem umas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, já não é mais. Sabia? Sabe nada: você roda na roda também, quer uma prova? Todo esse pessoal de preto e cabelo arrepiadinho sorri pra você porque você é igual a eles. Se pintar uma festa, te dão um toque, mesmo sem te conhecer. Isso é rodar na roda, meu bem. Porque o rodar dela é o rodar de quem consegue fingir que não viu o que viu.

O que importa é que você entra por um ouvido meu e sai pelo outro, sabia? Você não fica. Você não marca.






C.F.A.

2 comentários:

HiigorCioffi disse...

O que importa é que você entra por um ouvido meu e sai pelo outro, sabia? Você não fica. Você não marca.

-Viishi Curtii viih *-*
Não são NA-DA.
To te seguindo&conseguindo comentar :*

Henrique, o Fernandes disse...

E eis que a garota que não entende a contabilidade escreve!

Sabe o que vc faz pra não rodar na roda? Passa pro próximo, sempre funciona.

muito bom ;*